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Um copo de Java
Incrível é a quantidade de vulcões ativos em Java, na Indonésia. Apenas num trecho, da região central da ilha, a cada vinte quilômetros, há pelo menos uns 15 vulcões fumegando. Cada um, com uma altura média de 3.000 metros. Foi no litoral dessa ilha, em 1883, que aconteceu a mais explosiva erupção da história. O vulcão Krakatoa pôde ser ouvido a 5.000 quilômetros de distância e na região, num raio de 500 km ficou noite por horas. Também nesse espaço, por três dias o céu ficou acinzentado.
Hoje, em todas as encostas de qualquer vulcão de Java, existem plantações. Nesse solo fértil e de clima de serra, onde no jardim da frente de uma a cada duas casas vejo mudas de morango, é colhido de hortaliças o café. O café predomina. Depois do Brasil, Colômbia e Vietnã, a Indonésia e o maior produtor. Originário da Etiópia e revelado ao mundo pelos árabes, estes trouxeram o café para Java junto com a religião islâmica. Daqui também sai o café que é considerado o mais caro do mundo. Alcançando 300 dólares o quilo. Se chama Kofi Luwak. Kofi e a palavra café no dialeto javanês e Luwak e o nome do animal que agrega valor ao café. Luwak e um tipo de gambá e que fede igual. Talvez seria um pouco mais bonito que o nosso gambá por levemente lembrar um gato. O Luwak come os grãos, mas estes grãos não são digeridos e passam intactos pelo sistema digestivo do animal. A medida que o grão passa pelo sistema digestivo deste gambá, ele sofre um processo de modificação parecido com o utilizado pela indústria do café para remover a polpa do grão de café, envolve bactérias e enzimas digestivas do animal.
Esse forma interessante de produzir café notei na face dos empregados de uma fazendo de café de Java: um grupo deles ficava de tocaia, escorados na grade de um enorme viveiro. Assim que o gambá expelia suas fezes, lá iam eles correndo, coletar o dinheiro do patrão.
(Este é o café que o personagem interpretado por Jack Nicholson tanto fala no filme "Antes de Partir")